Fundação Itesp participa em Brasília do seminário “Grande Impulso para a sustentabilidade no Brasil”

A Fundação Itesp teve uma participação importante no seminário “Grande Impulso para a Sustentabilidade no Brasil”, que foi realizado nesta terça-feira (5), em Brasília. A instituição foi representada por Marcel Artioli, analista de Desenvolvimento Agrário da Assessoria de Mediação de Conflitos Fundiários e pesquisador do Núcleo de Estudos e Análises Internacionais (NEAI) do Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais (IPPRI) da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), e pela supervisora do Grupo de Sistemas Produtivos, Emiliana Gomes Ferigolli, autores do estudo de caso “A inserção das comunidades quilombolas do Vale do Ribeira na cadeia produtiva do mel”. O projeto também tem como autoras Cristiane Bonaldi Cano, pesquisadora científica do Instituto Adolfo Lutz (IAL) de São Paulo, e Cynthia Fernandes Pinto da Luz, pesquisadora científica do Instituto de Botânica (IBt) de São Paulo.

O evento em Brasília é uma iniciativa da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe das Nações Unidas (CEPAL) e do Senado Federal do Brasil, e reúne autoridades e lideranças nacionais e internacionais para discutir um Novo Arranjo Verde para o Desenvolvimento Sustentável. Também conhecido como Big Push para a Sustentabilidade, o tema será debatido desde o conceito até exemplos concretos que demonstram sua viabilidade.

A participação da Fundação Itesp no evento é resultado da resposta positiva na submissão de artigo sobre estudo de caso “A inserção das comunidades quilombolas do Vale do Ribeira na cadeia produtiva do mel”. O projeto foi uma iniciativa entre a Fundação Itesp (Secretaria da Justiça e Cidadania), o Instituto Adolfo Lutz (Secretaria da Saúde) e Instituto de Botânica – IBt (Secretaria do Meio Ambiente) que teve como objetivo capacitar os agricultores das comunidades tradicionais na produção do mel entre os anos 2012-2017. O estudo vai de encontro com as novas propostas do Governo de São Paulo de levar desenvolvimento e geração de renda para as famílias do Vale do Ribeira com o Programa Vale do Futuro.

O projeto analisa a inserção de cinco comunidades quilombolas do Vale do Ribeira na cadeia produtiva do mel. Inserida nas práticas de fomento à bioeconomia, a apicultura familiar é uma atividade econômica e ecológica central nos sistemas de agricultura familiar e tem por finalidade promover a inclusão social, por meio do incremento de renda e de práticas produtivas de bases ecológicas sustentáveis. O projeto apresenta um estudo de caso sobre as práticas de assistência técnica e capacitação para a produção de mel com qualidade nas comunidades quilombolas.

“O projeto foi um primeiro passo no sentido de fortalecer parcerias interinstitucionais no Estado e, mais importante, na promoção da cidadania e no incremento da renda de agricultores das comunidades quilombolas. Participar desse seminário demonstra que o trabalho da Fundação Itesp na questão da sustentabilidade caminha no sentido de consolidar políticas públicas transversais”, destacou Marcel Artioli.

O estudo identificou o perfil da produção de mel das comunidades quilombolas do Vale do Ribeira, cujo potencial é de inserção nos mercados nacional e mundial. As floradas nativas e típicas da Mata Atlântica são um diferencial a mais que agrega valor regional ao produto, ocorrendo exclusivamente em um ambiente como esse, raro no comércio de mel. A transferência tecnológica e de conhecimento científico com relação a prática apícola de bases sustentáveis e com qualidade pode incrementar a renda dos apicultores quilombolas, pela produção de um mel diferenciado com potencial de mercado crescente.

O projeto apresenta ainda uma alternativa para a produção agrícola em uma região de mata preservada por lei e com restrições de uso, mas com um enorme potencial de utilização dos recursos florestais nativos de maneira sustentável.

“A inserção da apicultura é uma grande aliada para a preservação da biodiversidade nativa e dos cultivos provenientes da agricultura familiar, pois a polinização realizada pelas abelhas promove o aumento na produção vegetal. Além disso, a parceria entre instituições públicas buscou coordenar esforços e investimentos para a incorporação das comunidades remanescentes de quilombos na cadeia produtiva do mel, o que apresenta uma oportunidade para geração de renda e diminuição de desigualdade social”, concluiu.